A arte da fotopintura misto de retrato, fotografia e pintura. A arte, pode-se dizer, nasceu junto com a fotografia, quando o preto e branco das imagens criou nas pessoas o desejo das cores.
Foi a partir deste desejo das cores
A base do processo
A arte da fotopintura no Brasil
Um dos mestres na arte da fotopintura

O artista aderiu à era digital




que André Adolphe Eugène Disdéri (1819-1889/90), por volta de 1863, inventou o processo da fotopintura.
A base do processo
é uma fotografia em baixo contraste sobre a qual o pintor aplica as tintas – guache, óleo, pastel etc. O sucesso da fotopintura se deveu à suas características muito próprias:
- as pessoas acreditavam que, a partir das cores, a fotografia se aproximava ainda mais da realidade;
- ao pintor, não se exigia grande talento para o retrato;
- ao dono do retrato, não se exigia que posasse em intermináveis sessões e, ainda;
- garantia-lhe prestigio social, uma vez que a pintura, por seu alto custo, estava restrita à nobreza.
A arte da fotopintura no Brasil
remonta a 1866 e, atualmente, os principais artistas do gênero estão concentrado no Norte/Nordeste, principalmente no Ceará e Caruaru. Em São Paulo, é conhecido o trabalho de Rubens Voi, no bairro do Brás, mas seu foco maior parece estar na restauração (conheça o site de Voi - clique aqui).
Um dos mestres na arte da fotopintura
é o pernambucano Júlio Francisco dos Santos, conhecido pelo apelido carinhoso de Mestre Júlio. O artista trabalha com fotopintura desde os 12 anos de idade e já teve 21 empregados. Hoje, além de continuar a trabalhar em sua arte, quando convidado, ministra minicursos, na esperança de que a técnica não seja extinta.
Mestre Júlio
O artista aderiu à era digital
e, atualmente, já trabalha com o Photoshop. Mas Mestre Júlio ressalta que, apesar de muita gente modificar as fotografias com o programa, a grande maioria faz montagem e não pintura, tirando da arte seu valor agregado. E ele vai mais além: "Com o avanço desenfreado da tecnologia, a fotografia também vai perder o símbolo histórico. Os laboratórios estão vazios e os HDs cheios".
A fotógrafa cearense Telma Saraiva
tem uma história de paixão com a fotopintura. Filha de fotógrafo, aprendeu cedo com o pai a paixão pela fotografia e pelo cinema.

Auto-Retrato Telma Saraiva
Fotógrafa novata,
foi transformada pelo pai e o marido em fotógrafa de crianças. Não demorou muito e transformou as mães em modelos para suas fotopinturas. Da badalada publicação sobre cinema “A Cena Muda”, separou as melhores fotos e, esforçando-se, copiava cada detalhe dos “portraits”: iluminação, maquiagem e figurinos.


A artista, além de ser mulher,
tem características que a difere dos demais artistas do gênero:

Informações: Revista Bravo, nov./2006, 98-103p.; Enciclopédia Itaú Cultural; Diário de Pernambuco
Imagens: Mestre Júlio, do Georgia Quintas; Telma Saraiva, da revista Bravo
- seu trabalho esta focado no auto-retrato;
- faz uso da tinta a óleo em suas fotopinturas;
- preocupa-se com o realismo da imagem;
- busca nuances próprias da técnica de pintura, como equilíbrio de formas e acabamento perfeito;
- no trabalho da artista, o onírico está no momento em que se transforma na personagem que incorpora e não no momento da pintura.

Informações: Revista Bravo, nov./2006, 98-103p.; Enciclopédia Itaú Cultural; Diário de Pernambuco
Imagens: Mestre Júlio, do Georgia Quintas; Telma Saraiva, da revista Bravo










