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Body art encontro da arte e do corpo

Postado por MarGGa On 11/12/2009 09:41:00 PM


A body art é uma manifestação artística audaciosa, intensa e impressionante sobre seu único suporte: o corpo – do artista ou de modelo(s). Nela, o espectador pode ser passivo, “voyeur” ou interativo.

Surgida na década de 60,
estendendo-se pela década de 70, a body art, muitas vezes, assumiu papel ritualístico ou de apresentação pública, o que a aproximou da performance e do happening – eventos teatrais com características de imprevisibilidade e participação direta ou indireta do espectador.

Seus representantes mais conhecidos:
  • Marcel Duchamp (francês, nacionalizado americano – 1887/1968) – acreditava que qualquer coisa poderia ser usada como, e para, a arte (chamado, posteriormente, de procedimento apropriativo);
  • Yves Klein (francês – 1928/1962) – criou uma técnica que chamou de antropometria, na qual usava corpos femininos nus, cobertos de tinta azul, como pincéis vivos;

Yves Klein – Antropometria


Yves Klein – Antropometria ou Medições visuais do corpo humano

  • Vito Acconci (norte- americano – 1940) – um vídeo-artista de seu próprio corpo, hoje usando áudio e instalações visuais (assista ao vídeo); e,


  • Piero Manzoni (italiano – 1933/1963) – o mais radical de todos, e suas obras conceituais.
Na body art o corpo é material de trabalho.
As experimentações são as mais variadas, da nudez à manipulação pública, passando pela pintura do corpo e com o corpo. Elevada à sua potência máxima chegava a ações como comer vidros, cortar o próprio corpo, beber sangue, levar tiros, enlatar merda (desculpem-me a expressão, mas a palavra é esta mesmo)...

Recebida por um público perplexo,
cujas reações variavam da repulsa à atração, a body art teve como efeito uma ampla reflexão sobre a arte clássica e a produção dos artistas.

A grande questão:
era a body art apenas uma manifestação grotesca de seus autores, desprovida de qualquer valor artístico, ou
era uma forma de arte sociológica, crítica e uma reação ao classicismo na/da arte.

Os críticos,
como Thomas Mcevilley, em “Art in the Dark” (1983), questionavam:
Piero Manzoni enlatou sua merda e a colocou à venda em uma galeria de arte, por seu peso em ouro (1959); Chris Burden “encenou” um tiro real em seu braço (1971) e se deixou crucificar ao teto de um Volkswagen (1974); dois performances norte-americanos, em ocasiões diferentes, fizeram sexo com cadáveres femininos... Como essas atividades poderiam ser chamadas de arte?
Muitos dos defensores da body art
procuraram fundamentar a arte do corpo, evitando que fosse interpretada como repositório de experimentações esquisitas. A despeito do esforço, a body art era frequentemente incompreendida, como, de certa forma, o é até hoje.

Piero Manzoni,
por exemplo, explicaria suas latas de merda vendidas a preços correntes de ouro como:
uma referência irônica à disposição do mercado de arte para comprar tudo na condição de que seja assinado.


O mesmo processo
foi usado pelo artista em suas obras “Esculturas Vivas” e “Consumazione dell'arte dinamica del pubblico l'arte divorare” (Consumo da arte pela arte dinâmica devorada pelo público - livre tradução)

Em Esculturas Vivas,
Manzoni simplesmente assinava seus modelos (muitos eram pessoas comuns) e/ou emitia certificados de autenticidade, garantindo serem seus portadores obras de arte ambulantes.

Esculturas Vivas

Em "Consumo da arte pela arte dinâmica devorada pelo público"
o artista ridiculariza o poder do próprio artista, onde tudo tocado por ele é transformado em uma obra de arte. Um objeto comum, cotidiano, como um ovo, tornava-se uma preciosa relíquia se autenticado.

Consumo da arte pela arte dinâmica devorada pelo público

Um evento realizado em 1974,
pela artista italiana Marina Abramovic, chamado Rhythm 0 (ritmo zero, em livre tradução), marcaria para sempre um novo estágio na body art:
Na mesa diversos objetos de provocação: uma arma, uma bala, uma serra, um garfo, uma escova, um chicote, um batom, um vidro de perfume, tinta, facas, fósforos, uma pena, uma rosa, uma vela, água, correntes, pregos, agulhas, tesouras, mel, uvas, gesso, enxofre e azeite, entre outros.
Na parede, um texto:
“Há 72 objetos na mesa que podem ser usados em mim como desejados. Eu sou o objeto”.
Os espectadores a movimentaram, pintaram-na, coroaram-na com espinhos, cortaram-na e arrancaram suas roupas com lâminas de barbear.
Seis horas após o início da performance, uma arma carregada é apontada para a sua cabeça.
Espectadores preocupados puseram fim ao evento.



O jornalista e crítico de arte francês
François Pluchart (1937-1988), em 1974, escreve:
O que ela é: o corpo é o terreno fundamental. Prazer, sofrimento, doença e morte se inscrevem nela [...]. O que ela não é: a Body Art não é o esgoto dos grandes abortos pictóricos do século XX. Não é uma nova receita artística destinada a ser registrada tranqüilamente em uma história da arte falida. Ela é exclusiva, arrogante e intransigente. Não tem relação nenhuma com qualquer suposta forma artística a menos que esta tenha primeiro se declarado sociológica e crítica. Ela perturba, rejeita e nega os velhos valores estéticos e morais assumidamente pertencentes à prática artística.

Informações: Wikipédia

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